Na continuação da série sobre educação musical, Lilia Rosa nos mostra que a disciplina de Artes está longe de praticar todos os significados desta palavra, principalmente na escola pública
Faz exatamente quinze anos que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (de 1996, no artigo 26, § 2º) estabeleceu: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”.
Se o papel da Arte na educação escolar é o de possibilitar o acesso à cultura, eu pergunto: “Onde está a Arte na escola pública?”.
Cadê a Arte viva, digo a Música, o Teatro, a Dança, as Artes Visuais e o Áudio-Visual, compreendida como processo, experiência e conhecimento que, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (de 997), tem uma função tão importante quanto aos outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem do ser humano?
Esse documento, de 97, dirigido especialmente às autoridades governamentais, escolas e professores, propõe a promoção do pensamento artístico e da percepção estética por meio de atividades e práticas que buscam despertar e desenvolver a sensibilidade, percepção, imaginação e a realização de formas artísticas – a criação individual e coletiva e a reprodução de trabalhos de autores diversos -, além da análise dos estilos e pesquisa.
Onde está escrito que Arte significa apenas fazer desenhos, pinturas, colagens, dobraduras, trabalhos manuais, teatrinhos para o dia das mães, rodas e danças para a socialização ou inclusão, escuta de músicas para acalmar o grupo de alunos, cantorias para as festas e datas comemorativas (dia do índio, da criança e da consciência negra), e ensaios ou adestramentos musicais de crianças e adolescentes em bandas e fanfarras para os desfiles cívicos?
Essas atividades ou ações, sem dúvida alguma, podem estar presentes no contexto da escola, mas não devem se restringir à recreação, socialização, elevação da auto-estima e civismo (melhor dizer, manipulação política).
Se a disciplina Arte tem importância igual à da Matemática, como exemplo, por que ainda os educadores ministram conteúdos estanques, fragmentados e desinteressantes, desconectados do cotidiano do aluno e desatualizados em relação ao mundo contemporâneo?
A escola do século 21 deve ser compreendida como espaço para a construção da cultura – aliás, conhecimento é cultura!-, e da cidadania. Os educadores precisam estar preparados ou qualificados para trabalhar com Arte, já que a função dela na sociedade é enorme.
Arte é liberdade, criação, ousadia, vida, experiência singular, expressão plena do indivíduo e do grupo, cujas ações possibilitam a formação de homens livres, criativos, solidários, autônomos, colaborativos, verdadeiros, melhores e felizes.
Fonte: http://musicaemercado.com.br/ – por Lilia Rosa

