[Artigo] Segunda linha de luxo

Quem já ouviu falar de Luxúria? Além de um dos sete pecados capitais, este nome foi utilizado por uma banda paulista, atualmente levando o nome de sua vocalista Megh Stock, para ilustrar em suas letras, de forma dramática, tentações e dilemas que encontramos muitas vezes no decorrer de nossas vidas.

A genialidade das composições atreladas a um bom rock não fizeram da Luxúria, ou Megh Stock, uma das maiores bandas da década passada! Pelo contrário, mais um talento desperdiçado em nosso país, devido a nossa cultura (ou falta dela) de ingerir apenas composições ruminadas.

Não por falta de tentativas, por incrível que pareça, a banda teve três músicas presentes na novela Malhação da Rede Globo: Ódio (2006) e Lama (2007), do primeiro CD que levou o mesmo nome da banda, na época, e Inveja (2009), lançada no álbum “Da Minha Vida Cuido Eu”, já com o nome da banda alterado para o próprio da vocalista: Megh Stock.

Em 2007, a vocalista também fez participação na música “Estrela de um Céu Nublado”, do CD “Admirável Mundo Cão”, do também deixado de escanteio, Jay Vaquer, que, em minha concepção, fez com que esta música fosse um dos encontros mais perfeitos do rock nacional na década passada!

Admirável Mundo Cão

Jay também tentou. Com indicações nos VMBs de 2004 e 2006, ambas na categoria Escolha da Audiência, não o fizeram seguir um caminho diferente de Megh. O artista simplesmente lançou seu último album “Umbigobunker!?” com apenas um show marcado no ano, o qual ele mesmo assumiu a organização e ainda tomou prejuízo, tendo que cantar com eco, por falta de público e auxílio de rádios na divulgação de seu lançamento.

Lamentável, mas verídico. Temos, no Brasil, uma segunda linha de bandas de rock, quiçá, com muito mais qualidade do que a primeira. Só porque, como faz mensão o próprio Jay Vaquer, na entrevista que você vê a seguir, “o buraco é bem mais embaixo”.

Entrevistador: Não teve medo de “Coprófaga” ser barrada nas rádios?

Jay: O nome da canção é “Ah, mas bem que você gosta” (Coprófaga). Claro que não. Como posso ter medo de errar a coreografia se nem vou dançar? rs. Não há essa expectativa. Se a pergunta quer saber se tenho medo de dificultar as possibilidades comerciais do que realizo em função de um tipo de “discurso” que utilizo e imprimo, a resposta também é não. Nunca pautei o que realizo pelo critério que é tão subjetivo e nem me importa. Não subestimo ninguém e faço o que quero e preciso fazer. Além disso, como vc deve saber, o “buraco” que determina a presença de uma canção nas rádios, ou não, é beeem mais embaixo…rs

Trecho de entrevista extraída do blog de Jay Vaquer: http://www.fuzarca.blogger.com.br/

About the Author

Vit é Produtor Executivo de Bandas, Sócio do site YourBand.com.br, Produtor e Organizador de Festivais, Vocalista e Compositor há 8 anos, graduado em Comunicação Empresarial, bacharelado em Publicidade e Propaganda e pós-graduado em MBA em Marketing.