Para uma banda se destacar no cenário independente não é necessário apenas talento e carisma.É preciso de uma série de fatores profissionais que apenas uma pessoa com visão empresarial pode conseguir. Esse é o trabalho de um Produtor Executivo de Bandas. Rulio Salinas, ex-produtor das bandas 35 mls e Hori falará um pouco mais sobre a profissão.
1. Rulio, qual foi o seu primeiro trabalho na cena independente e a primeira banda que produziu?
Convivo no cenário independente desde 1985, assistindo shows, trocando informaçãoes, dando aquela força para amigos, músicos ou organizadores. Comecei a trabalhar quase sem querer como roadie (Hateen, NX, Wander Wildner, Food4life, entre outras) e depois de velho comecei a fazer a produção executiva do 35mls, onde tivemos resultados super positivos, aprendi e obtive muitas coisas com eles.
2. Como você resolveu entrar neste ramo?
Não resolvi na verdade, as coisas foram acontecendo, eu acho que foi porque sempre quis trabalhar com música e aquela apreensão do dinheiro sempre me impediu, mas tudo conspirou e aqui estou.
3. Qual a importância do trabalho de produção executiva para que uma banda possa crescer e se destacar? E quais as maiores preocupações que a banda deve ter (estilo, som, visual, entre outras)?
Antes da produção executiva, a banda precisa SER e FAZER o básico, é importante que ambos estejam focados na mesma meta, a banda e produção trabalhando lado a lado.
O que faz uma banda crescer é a SOMA, se um puta produtor pega uma banda preguiçosa ou uma banda cheia de egos, ou uma banda muito fake ele não tem como fazer milagres.
O mesmo acontece com uma puta banda, se trabalham com uma produção lenta, perdida e que atira para todos os lados é perda de tempo para eles.
Ambos devem trabalhar DURO.
Bom, na MINHA opinião uma banda não deve ter preocupações, principalmente se estiver no rock, uma banda tem que se juntar para ter tesão em tocar, de se divertir e principalmente de passar algo assim para o público.
Hoje o POP cresceu e é o objetivo de muitas bandas que estão começando principalmente, muita gente não entende que o POP ficou evidente e mudou com a chegada do formato MP3, a rebeldia do rock, o discurso que as bandas faziam era manifestação de uma época, de uma situação e hoje em dia não é mais assim.
A banda precisa ter muita competência e muita, mas muita mesmo, dedicação e então, antes do visual e de achar o corte perfeito, aprenda a tocar e a cantar, mas curtam esse aprendizado. Nessa era onde o POP é a intenção da maioria das bandas, as chances de chegar lá serão muito maiores para o melhor guitarrista, melhor vocal e assim vai.
4. Quais as principais funções de um produto
r de bandas? E quais os principais desafios?
- Organização e administração de equipamentos, agendas e equipe e os próprios músicos.
- Obter, regularizar e administrar documentos, licenças, publicações etc…
- Orientar, dirigir e capacitar a banda.
- Conseguir recursos financeiros, patrocínios e apoios.
- Assessoria de imprensa.
- Encaminhar para gravadora, agenciamento ou empresários.
5. Como era o seu trabalho com a banda 35mls na época em que os produzia?
Muito prazeroso graças a Deus, pouco recurso, mas muita vontade de fazer acontecer a cada conquista, cada show com um pouco mais de público. Era motivo para muita felicidade.
Mas precisava de muita dedicação, foco!
6. Comparado ao seu trabalho na cena independente, o que mudou nessa “migração” da cena para o mainstream, quando assumiu a banda Hori? Conte-nos, resumidamente, sobre seu dia a dia com a Hori (durante a semana, antes e após cada show).
No começo, fizemos muitos shows no independente, muitos contratantes que eu trabalhei deram a oportunidade pra Hori tocar, foi muito enriquecedor e necessário para cada um deles.
Em ambos universos tem coisas boas e ruins, eu aprendi muito, achei que ia chegar apavorando, pois o ritmo do independente é intenso, correria e a gente aprende a fazer limonada de um limão.
Quando você tem acesso aos recursos do mainstrean, algumas coisas realmente ficam mais fáceis, melhora muito! Mas é como um jogo de vídeo game, em cada fase tem uma parada mais difícil tentando por na sua bunda. Não é mar de rosas, para se manter é bem difícil.
Pra resumir, a dedicação não para, não dá pra relaxar.
7. No cenário independente nacional, há ainda espaço para o surgimento de novas bandas? O que você sugere para que elas se destaquem em meio a tantas outras?
Há sim! Procurem fazer boas musicas, com letras boas, bem tocadas tem muita gente esperando boas e novas bandas sempre, não tem muito segredo, eu acho que sinceridade vai ser a nova etapa.
8. E para quem quer seguir o trabalho de produtor, quais suas dicas?
Comece a trabalhar agora e não se afobe com a remuneração, vai com calma abusando do jogo de cintura, seja honesto e constante.




